

Dois garotos posam para foto enquanto se retratam com uma cybershot, foto na Nova Holanda. Essa foto fala sobre o acesso ao direito à documentação.
maré analógica
arteviana × mOst
Fotografia analógica feita por jovens da Maré, Rio de Janeiro. Dez olhares, uma favela contada por quem vive nela, e uma exposição colada nos muros do próprio bairro.
maré · o território
texto da exposição, escrito com os jovens da Maré

analógica · o projeto
Esse projeto nasce do encontro entre Arteviana, artista da Maré, e a mOst (Meu Olho na Terra). É uma colaboração construída a partir de uma visão compartilhada: fazer das periferias espaços de cultura, expressão artística e produção de narrativas próprias.
Trata-se de um projeto de artes visuais participativas e comunicação popular que busca pensar e tornar visível a vida cotidiana das pessoas que vivem nas periferias, abrindo espaços criativos, reflexivos e participativos. Nossas oficinas procuram contar a história das áreas em que são realizadas e destacar as vozes da comunidade por meio do prisma das práticas artísticas exploradas durante os encontros e das criações coletivas que surgem a partir delas.

preto e branco · 29 fotos
Ocupando espaço com firmeza.

Um menino preto do Maré jogando bola no campo. Nessa foto vemos sonhos, sonhos de um futuro jogador.

Três irmãos unidos pela vida; todos os dias observam juntos os jogos de futebol da pracinha. O encontro de 3 jovens superando qualquer adversidade unidos pela irmandade.

quero destacar a mulher como protagonista.
presença · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Uma mulher encara a câmera com firmeza, ocupando o espaço com a naturalidade. Quero destacar a mulher como protagonista.

Uma senhora sentada na porta da sua casa. Moradora da favela do Parque Maré, uma moradora muito antiga. Essa senhora é conhecida por muitas pessoas pelo território, Dona Lígia. Ela sempre é muito simpática e sempre se permite ser fotografada.

Menino faz uma pose de força, gesto de valentia. A pose representa como a criança experimenta a ideia de ser forte.

Três crianças brincando fingindo estarem pilotando uma moto na Nova Holanda. Apesar de estarem parados, tem movimento, não só o físico mas no mundo imaginário.

maré · o território
O território foi consolidado entre 1940 e o início dos anos 2000, por ocupação espontânea ou de programas habitacionais do Governo, por exemplo, o Projeto Rio, Projeto Morar Sem Risco. A Maré foi constituída por pessoas que sofreram com as remoções, e também por pessoas que vieram para o Rio ou para o Brasil em busca de uma vida melhor e acabaram fazendo parte da construção da Maré. O território começa na altura da FIOCRUZ e vai terminar na Praia de Ramos, às margens da Baía de Guanabara, sendo cortado ao meio pela Linha Amarela e cercado pela Linha Vermelha. Visto por poucos que passam pelas vias e ignorado por muitos.
Como toda favela carioca a Maré também tem problemas, alguns que você não encontra pela zona sul. O racismo ambiental é um dos maiores problemas que enfrentamos no momento, por mais que a história na grande mídia seja outra. A falta da coleta de lixo adequada, esgotos a céu aberto, valões que transbordam em dias de chuva, por falta de manutenção; nos faltam áreas verdes ou até árvores pelas ruas, o que nas ondas de calor, ou no caso do Rio o ano inteiro, se torna insuportável.


no olhar de uma criança vemos uma vida.
olhos da vida · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
No olhar de uma criança vemos uma vida, seus olhos transbordam sentimento, o que há por dentro? A normalidade e a vivência da favela.

Dois garotos posam para foto enquanto se retratam com uma cybershot, foto na Nova Holanda. Essa foto fala sobre o acesso ao direito à documentação.

Um menino sorri enquanto exibe os braços, transformando a ideia de força em brincadeira e alegria. Ressignificar a força na infância negra como expressão.

Uma jovem fotógrafa da Maré. Seu sorriso trás a felicidade de uma noite tirando fotos pela Maré.

Um homem preto fazendo reciclagem em meio ao lixão do Complexo. O herói da sociedade, sem rosto, sem nome, porém é o pilar da sociedade. Muito dos negros discriminado pelos pessoas, porém, seu papel é de heroísmo.
o herói da sociedade, sem rosto, sem nome.
sr. damoé · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025

Um jovem usando a camisa do seu time do coração. O amor incondicional pelo seu time e como vestir a camisa é algo sério.

Um jovem admirando o horizonte em cima da sua moto, pensando em suas próximas viagens. Seu corpo e olhos brilham junto da moto esperando por sua próxima aventura. Ela fala sobre liberdade.

Crianças brincando de pipa. A escolha desta imagem valoriza o cotidiano, aquilo que costuma passar despercebido: a infância encontrando alegria mesmo com possíveis limitações.

Um senhor preto da favela rezando por dias melhores. É importante mostrar fragilidade / rezar por dias melhores.
maré · o território
A pesquisa Respira Maré, da Redes da Maré, ONG criada por moradores, comprova que os moradores da Maré têm mais tendência a doenças respiratórias; a Maré fica a 14 km da refinaria de Duque de Caxias (REDUC). Além disso, o estudo evidencia que a falta de áreas verdes nos territórios impede a atuação direta no controle da temperatura local. Já sentiu como o calor da zona sul é diferente do restante do Rio?
A Maré é um território rico em cultura e arte, onde a criatividade e a resiliência dos moradores se manifestam de diversas formas; não é à toa que existem alguns pontos de cultura dentro da favela: o Museu da Maré, o Centro de Artes da Maré, o Galpão Bela Maré e a Areninha Herbert Vianna. A exposição reflete a identidade mareense, com as cores, grafites, músicas e histórias que contam a vida cotidiana e as nossas lutas. Um exemplo de como a arte pode transformar e unir pessoas, superando barreiras e mostrando a beleza da favela.



a infância pode ser vivida em qualquer lugar.
re-infância · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Crianças brincando de pipa no campo. O cenário traz uma sensação de que a infância pode ser vivida em qualquer lugar.

enquanto solta pipa, ele solta seus sonhos mais e mais alto.
pipas e sonhos pro alto · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Uma criança soltando pipa no campo que fica de frente pra sua casa. Enquanto solta pipa, ele solta seus sonhos mais e mais alto.

Um casal de moradores bebe cerveja num bar localizado na Nova Holanda; no fundo é possível ver uma lona utilizada em bailes. Essa foto fala sobre a sociabilidade na favela.

os momentos com a família são os mais importantes.
conversa em família · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Uma família conversa na frente de casa. Os momentos com a família são os mais importantes.
Menino observa a pipa enquanto ajeita a rabiola com cuidado. A foto foi escolhida porque registra o instante que antecede a brincadeira e o olhar atento para que tudo dê certo ao colocar a pipa no céu.
antes do céu
legenda escrita pelo·a fotógrafo·a


A bolsa não só trás os objetos, mas trás um movimento. Vemos um botton de Elza e outro do Drumm, e nos perguntamos o movimento que ele trás na bolsa. Me encantei pela bolsa e seus bottons.

talvez deixando o tempo passar, talvez pensando na vida, talvez vivendo.
passe o tempo · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
A foto trás uma parte da história desse senhor, onde ele estava encostado na moto, talvez deixando o tempo passar, talvez pensando na vida, talvez vivendo. Acho que a foto trás o questionamento do porque ele está ali, e gostei disso.

Garotos jogando bola em uma quadra abandonada pelo tempo.

Uma jovem olhando o seu celular para fazer compras. Quando atrás dela, tem uma loja. Essa foto traz a reflexão de sempre estarmos no celular procurando algo ao nosso lado.

além deles serem diferentes, eles são iguais!
a lealdade não tem cor · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Dois garotos sentados em uma praça destruída. Escolhi essa foto pois representa união e irmandade e igualdade; além deles serem diferentes, eles são iguais!

maré · o território
A estética da Maré é única, com suas ruas estreitas, casas coloridas e diversas músicas por toda parte que expressam a identidade cultural do lugar. A arte é uma linguagem poderosa que fala sobre a história, a luta e a resistência da comunidade, e essa exposição mostra tudo isso, através das vivências, da sobrevivência e da nossa coletividade. Apesar das barreiras invisíveis construídas historicamente por conta da violência interna e externa, um grupo de jovens moradores se reuniu para construir coletivamente um olhar sobre esse território.
Essa exposição é composta com as vivências desses jovens mareenses que, apesar dos atravessamentos que a população negra e favelada sofre, conseguiram transformar isso em arte. Por isso é importante contar o outro lado da história, e deixar ela ser contada por quem vivencia ela e não por quem está aqui apenas quando o bicho come.

cores · 24 fotos

Menino posa com gesto para a foto. Expressão com leveza e naturalidade.

Menino prestes a chutar a bola pro gol no jogo de futebol. Movimento e o instante decisivo.

a comunidade respira futebol.
o futebol e a sua arte · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Um menino em um campo de futebol. A comunidade respira futebol. Esse é o sonho mais desejado e o futebol respira a persistência e o talento.


Três jovens da Maré parando para a foto, no campo da Rubens Vaz (R.V.). Curto fotos que ressaltem a infância.

Meninas sorrindo, sentadas em uma praça, posam para a foto. Cada uma delas fazendo uma pose. Essa foto mostra uma infância pura de amizade entre 4 meninas.

Essa foto trás um olhar silencioso e até mesmo marcante, como um questionamento. Ele olha pra dentro do que vê, ele olha pro profundo. Acho que o olhar dele acaba fazendo a gente pensar, e foi por isso que o escolhi.
olhar profundo
legenda escrita pelo·a fotógrafo·a


Uma criança brincando de pique esconde e, quando é encontrado, sorri. A pureza de uma criança que mesmo perdendo na brincadeira continua feliz.

entre os becos da Nova Holanda, os crias se refrescam no calor do RJ.
lazer na favela · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Crianças curtindo uma piscina em um dia de sol, na favela da Maré. Entre os becos da Nova Holanda, os crias se refrescam no calor do RJ.

a essência favelada, o encontro entre vivências desse território.
butacagem · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Num buteco da Rubens Vaz, homens se encontram para beber, comer e curtir. Essa foto representa muito a essência favelada, o encontro entre vivências desse território.

Uma mulher participa de partida de dominó em comércio local.

Um homem na bancada do seu armarinho, com vários produtos diversos. Dentro das favelas carioca a estética de buteco e armarinho resiste.

A foto trás um olhar mais belo sobre o cotidiano de mulheres que trabalham em bar, e trazem uma parte da sua história. Só gostei e eu fiz.
bar de memórias
legenda escrita pelo·a fotógrafo·a

o descanso e o lazer também são importantes.
pausa · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Homem sentado em um momento de descanso. Escolhi porque retrata um instante simples e humano do cotidiano. O descanso e o lazer também são importantes.

Um olhar a Maré, direto de um cria, morador. Gostei do fato.

Um homem observa o tempo a partir da porta de casa, em silêncio. Evidenciar a pausa como uma rotina.

Dois jovens atravessam as ruas de moto. Retratar a juventude.

Um corte de cabelo acontece dentro de casa, entre gestos cotidianos.
só gostei e eu fiz.
bar de memórias · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
um dia ensolarado de irmandade e suas alegrias.
dia ensolarado · jovens fotógrafos e fotógrafas da Maré, 2025
Uma criança segurando seu irmão neném, em dia ensolarado de irmandade e suas alegrias.

Um barbeiro fazendo o seu trabalho para conseguir o seu sustento. Eu gostei da foto por um ambiente de trabalho, dá uma diferenciada das outras fotos.

Um menino olhando pra cima, com o sol batendo em seu corpo. Ao olhar a foto eu penso em diversos cenários, o que chamou a minha atenção.
analógica · o projeto
Este projeto foi uma co-criação real com os jovens que participaram por meio da Arteviana. Eles se envolveram de verdade em todas as etapas do processo: da escolha dos temas e das formas de narrar o território, à produção das imagens e materiais, até as decisões de seleção, edição e apresentação para a exposição. A criação não foi “sobre” a Maré, mas feita a partir dela, com quem vive o território e o transforma todos os dias.
Nosso objetivo é partir do ponto de vista das pessoas que vivem nas comunidades em que trabalhamos e construir uma representação o mais próxima possível do cotidiano, para que seja mais fiel, mais justa e mais representativa. Construímos essas representações por meio de produções e materiais criados coletivamente, que resultam em exposições e que participam da dinâmica e da criatividade das periferias, afirmando-as como lugares de cultura, memória viva e expressão artística.
escolheros temas e as formas de narrar o território
produziras imagens e os materiais, em película
selecionar e editaras fotos, os títulos, as legendas
exporna rua, nos muros da Maré, e no livreto

oficina
Jovens fotógrafos·as da Maré.
deixar ela ser contada por quem vivencia ela.
texto da exposição, 2025

rua · a restituição
As fotos voltaram para onde foram feitas: coladas nos muros, portas e pilares da Maré, ao lado dos cartazes e dos grafites, à altura de quem passa. A exposição não aconteceu numa galeria: aconteceu nos lugares de vida, para as pessoas que aparecem nas imagens e para as que passam por elas todos os dias.
a exposição, muro por muro
Dezesseis cartazes A0, colados nos muros, nas portas e nos pilares da Maré. Cada muro mostra o cartaz e a foto tirada no lugar, no dia da colagem.
















rua · a restituição
Junto com as fotos, a folha de contato de toda a série e o texto da exposição também foram colados: a Maré pôde ler o que os seus jovens escreveram sobre ela.
pousar · 3D
Uma imersão no bairro e na sua exposição, do globo até a rua: os dezesseis cartazes, em 3D, nas ruas da Maré.
olhares cruzados
Em 2026, em Medellín, o projeto favela ocho colocou os jovens de Llanaditas (comuna 8) em diálogo com a Arteviana, na Maré, e com o Fotogracria, na Rocinha: duas periferias, cada uma de um lado do continente, que começam a conversar.
créditos · quem faz
Artista da Maré. É a partir do seu trabalho e da sua relação com o território que os jovens participaram do projeto, em todas as etapas.
A associação desenvolve projetos documentais, de artes visuais e de artes plásticas, cocriados com moradoras e moradores de territórios populares, na França e no exterior, no âmbito dos direitos culturais: com as pessoas, e não sobre elas.